O surto de infecções causado por um novo vírus na China, identificado como sendo da família dos coronavírus, começou a chamar atenção do mundo no fim de 2019. Foi em 31 de dezembro que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para a doença depois que autoridades chinesas notificaram casos de uma misteriosa pneumonia na cidade de Wuhan, metrópole chinesa com 11 milhões de habitantes.

A escalada de contaminação assustou o mundo quando outros países começaram a notificar suspeitas e casos confirmados. Em 30 de janeiro de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII). No Brasil, o primeiro caso registrado foi de um homem de 61 anos, que mora em São Paulo, e esteve na Itália viajando a trabalho. Mas afinal, o que é essa doença e como podemos nos prevenir?

O que é o coronavírus? Quais os sintomas?

Coronavírus é o nome dado a um grupo de vírus pertencentes à mesma família, a Coronaviridae, que causa infecções respiratórias que podem ser leves ou bastante graves, dependendo do tipo do vírus.

O mais novo coronavírus foi descoberto em 21/12/2019 na China e recebeu o nome de Sars-CoV-2. O nome dado à doença que o “novo coronavírus” provoca é chamada de Covid-19.

Os sintomas da Covid-19 são principalmente respiratórios, semelhantes a um resfriado. Podem, também, causar infecção do trato respiratório inferior, como as pneumonias. São comuns o aparecimento de febre, tosse e dificuldade para respirar.

O período médio de incubação por coronavírus é de 5 dias, com intervalos que chegam a 12 dias, período em que os primeiros sintomas levam para aparecer desde a infecção.

No entanto, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) ainda precisa de mais estudos e investigações para caracterizar melhor os sinais e sintomas da doença.

Como foi descoberto?

Em 29 de dezembro de 2019, um hospital em Wuhan comunicou que quatro pessoas que haviam trabalhado no Mercado de Frutos do Mar de Huanan, que vende aves vivas, produtos aquáticos e vários tipos de animais selvagens ao público, foram internados com quadro grave de pneumonia.

Após esse alerta, o Centro de Controle de Doenças (CDC-China) e os epidemiologistas de campo da China (FETP-China) encontraram outros pacientes que também tinham alguma relação com o mercado e, em 30 de dezembro, as autoridades de saúde da província de Hubei notificaram os órgão de saúde do país. Um dia depois, a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu o primeiro alerta para a doença.

Como se transmite o coronavírus?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato com secreções contaminadas, como: gotículas de saliva; espirro; tosse; catarro; contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão; contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Contudo, as investigações sobre as formas de transmissão do novo coronavírus ainda estão em andamento.

Como prevenir?

O Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de contrair ou transmitir infecções respiratórias agudas, incluindo o novo coronavírus. Entre as medidas estão:

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabonete por pelo menos 20 segundos, especialmente antes de ingerir alimentos, após utilizar transportes públicos, visitar locais com grande fluxo de pessoas, como mercados, shopping, cinemas, teatros, aeroportos e rodoviárias. Se não houver água e sabonete, usar álcool em gel a 70%.
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos e outros utensílios.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos não lavadas.
  • Evitar contato próximo com pessoas doentes.
  • Ficar em casa quando estiver doente.
  • Cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar com os braços (e não com as mãos) ou com um lenço de papel (descartar após uso).
  • Limpar e desinfetar objetos e superfícies tocados com frequência.
  • Evite contato próximo com animais que aparentam estar doentes.

Já tem tratamento?

Não existe tratamento específico. No caso do novo coronavírus é indicado repouso e consumo de bastante água, além de algumas medidas adotadas para aliviar os sintomas.

Assim que os primeiros sintomas surgirem, é fundamental procurar ajuda médica imediata para confirmar diagnóstico e iniciar o tratamento.

E a vacina?

Não existe até o momento vacina contra esse vírus, apesar de estar sendo estudado não só o desenvolvimento da vacina, mas também de remédios que possam atuar contra o coronavírus.

Quem tem viagem marcada para os próximos meses, deve tomar alguma precaução?

Mesmo que o Brasil já tenha caso registrado, não existe restrição ou recomendações especiais para viagens em território nacional. Até o momento, não há indicação de restrições ao tráfego internacional.

No entanto, após a alteração dos níveis de alerta da OMS em relação ao risco global de infecção pelo novo coronavírus, o Ministério da Saúde passou a recomendar que viagens para a China só devem ser realizadas em casos de extrema necessidade. Pacientes que apresentem sintomas da doença também não devem viajar.

Caso o destino da viagem seja outros países, é preciso verificar junto à embaixada ou sites oficiais do país de destino quais as medidas recomendadas pelas autoridades de saúde locais.

Devemos nos preocupar? O que o Brasil tem feito?

Desde 2005, o Sistema Único de Saúde (SUS) está aprimorando suas capacidades de responder às emergências por síndromes respiratórias, dispondo de planos, protocolos, procedimentos e guias para identificação, monitoramento e resposta às emergências em saúde pública.

Em 22 de janeiro de 2020, foi ativado o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o novo Coronavírus (COE-nCoV). Dentre os planos necessários para o enfrentamento desta emergência em saúde pública, o Ministério da Saúde elaborou o Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV), com três níveis de emergência (Alerta, Perigo Iminente e Emergência em Saúde Pública), e o objetivo de conter a transmissão da doença e o aparecimento de casos graves e óbitos ocasionados pelo novo coronavírus.

No plano para a situação de Emergência em Saúde Pública, como é o caso atual, são recomendadas de ações de vigilância, de suporte laboratorial, de medidas de controle de infecção, de assistência farmacêutica, e de controle em pontos de entrada (como portos, aeroportos e passagens de fronteiras). Essa fase compreende a fase de contenção e a fase de mitigação.

A fase de contenção significa que todas as ações e medidas estão sendo adotadas para identificar oportunamente e evitar a dispersão do vírus. Ou seja, envolve a sensibilização e capacitação de toda a rede de atenção à saúde do SUS, além de ações de vigilância, compra e abastecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para quem trabalha no atendimento de saúde e definições para a rede de urgência e emergência. Além do plano nacional, cada Estado também tem o seu plano de contingência.

A fase de mitigação se inicia a partir do registro de 100 casos positivos do novo coronavírus. São adotadas medidas de atenção hospitalar para evitar a ocorrência de casos graves e óbitos e, se necessário, medidas restritivas individuais de isolamento e quarentena.

Tenho viagem comprada para países que possuem casos e quero desistir. O que posso fazer?

Consumidores com passagens compradas para países que apresentem casos confirmados de contaminação por Covid-19 têm direito a cancelamento ou a remarcação da passagem, no entendimento do Idec. Por se tratar de um caso fortuito não deve ser cobrada multa do consumidor, pois isso seria uma punição a um ato teoricamente ilícito, quando na verdade não há qualquer ato irregular, mas sim intenção legítima de proteção à vida, o que está garantido pelo CDC (art. 6º, I).

Nesses casos, o consumidor deve buscar negociar com a companhia aérea ou agência de viagens o mais cedo possível. Caso sua demanda não seja atendida, deve procurar o Procon de sua região para realizar a mediação.

Existe risco de contaminação por encomendas vindas da China?

A OMS já esclareceu que não há nenhuma evidência ou estudo que aponte a possibilidade de transmissão do coronavírus por recebimento de encomendas da China. É mínima a chance de que o vírus sobreviva sobre materiais por vários dias ou semanas, durante todo o trajeto percorrido por um pacote.

Alerta contra Discriminação

O medo causado pela situação provocada pelo coronavírus não pode servir de justificativa para a discriminação e o preconceito contra pessoas de ascendência asiática. É proibido restringir ou exigir de pessoas orientais quaisquer medidas para a sua circulação e entrada em qualquer estabelecimento. Tal conduta, no Brasil, é classificada como crime de racismo, conforme a Lei 7.716/1989. Casos podem ser denunciados em uma delegacia para registro de Boletim de Ocorrência e também via Disque 100, para denúncias de violações de direitos humanos, por discriminação étnica ou racial.

Onde encontro informações confiáveis?

É importante procurarmos sempre fontes confiáveis e não disseminar fake news. Indicamos: Saúde de A a Z – tudo sobre o Coronavírus (informações bastante acessíveis) e o Boletim Epidemiológico do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública – COE, ambos do Ministério da Saúde.

Fontes:  Saúde de A a Z – tudo sobre o Coronavírus, Boletim Epidemiológico do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública – COE, Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (2019-nCoV) e OMS.