A Fundação Municipal de Saúde (FMS) de Teresina, neste “julho amarelo”, está atuando de forma significativa nas ações de prevenção das hepatites, por meio de cursos e palestras e, também, na realização de testagem para as hepatites B e C, em instituições públicas e privadas. Na segunda-feira, 11, equipes estarão no Ambulatório Azul do Hospital Getúlio Vargas; no dia 13 no Hospital Universitário e no dia 18 no Shopping da Cidade.

“Pessoas com sinais e sintomas de hepatites também devem procurar as Unidades Básicas de Saúde, onde estão sendo intensificadas as testagens, além de vacinação contra a hepatite B”, afirma Amariles Borba, diretora de vigilância em saúde da FMS.

As hepatites virais são um grave problema de saúde pública no Brasil e no mundo. Trata-se de uma infecção que atinge o fígado, causando alterações leves, moderadas ou graves. Na maioria das vezes são infecções silenciosas, ou seja, não apresentam sintomas.

Existem cinco tipos identificados de hepatite: A, B, C, D (Delta) e E. As dos tipos A e E se manifestam de forma aguda e não cronificam, com o sistema imunológico do paciente eliminando o vírus do organismo depois da crise, mas os tipos B, C e D podem se tornar crônicos e pedem mais atenção dos órgãos de saúde no mundo.

Segundo estatísticas do SINAN até junho 2022, Teresina registrou 642 casos notificados dos vários grupos de hepatites virais nos últimos cinco anos. A maioria de casos são de hepatites agudas sintomáticas e deve-se aos vírus A e B.

Na região Norte do Brasil, a coinfecção das hepatites B e D também é importante causa de hepatite aguda sintomática. O vírus C costuma apresentar uma fase aguda clinicamente pouco expressiva, de forma que responde apenas por pequena parte das hepatites agudas.

Os sintomas das hepatites virais agudas são inespecíficos como falta de apetite, náuseas, diarreia (ou raramente constipação), febre baixa, dor de cabeça, mal-estar, modificações do paladar e/ou do olfato, mialgia, fotofobia, desconforto abdominal, urticária, artralgia e, as vezes exantema e icterícia.

Na fase ictérica em geral ocorre diminuição dos sintomas. A urina também apresenta coloração escura. O fígado fica aumentado e doloroso e, às vezes, o baço também aumenta. Alterações laboratoriais incluem aumento de transaminases e das bilirrubinas totais e frações.

A fase de convalescença é o período que se segue ao desaparecimento da icterícia, quando retorna progressivamente a sensação de bem-estar. A recuperação ocorre após algumas semanas, mas a fraqueza e o cansaço podem persistir por meses.

A fase crônica das hepatites é quando o vírus permanece por mais de seis meses. Os vírus A e o vírus E não cronificam, embora o primeiro possa produzir casos que se arrastam por vários meses. O vírus A e o E não tem tratamento medicamentoso, mas o vírus A tem vacina eficaz e segura que é administrada por volta de 15 meses de vida. O vírus E ainda não tem vacina.

Os vírus B, C e D são aqueles que têm a possibilidade de cronificar. O vírus D nunca vem sozinho, ocorre sempre acompanhando a infecção pelo vírus B. Os indivíduos com infecção crônica funcionam como reservatório do respectivo vírus.

A hepatite causada pelo vírus B pode ser prevenida por vacina de elevada efetividade e tem tratamento. Para hepatite causada pelo vírus C não há ainda vacina, mas tem tratamento antiviral muito eficaz, com duração de 8 a 12 semanas. O tratamento da hepatite D são os medicamentos utilizados na hepatite B.

Eventualmente a infecção crônica só é diagnosticada quando a pessoa já apresenta sinais e sintomas de doença hepática avançada (cirrose ou hepatocarcinoma). Hepatite fulminante é um termo utilizado para designar formas graves e frequentemente fatais de insuficiência hepática avançada, se associando às hepatites A e B.