Golpes por QR Code, LGPD e trojans que roubam celulares serão tendência no cibercrime do Brasil em 2022

QRcode

Um relatório da empresa de cibersegurança Kaspersky alerta que, em 2022, a tendência para o cibercrime no Brasil é de se sofisticar e acompanhar os novos hábitos digitais do brasileiro pós-pandemia.

As informações fazem parte dos prognósticos da Equipe Global de Pesquisa e Análise (GReAT) da Kaspersky para a América Latina. O laboratório da empresa realizou análises para as tendências no mundo todo, observando como os ciberataques irão evoluir no ano que vem em cada região.

“Notamos que os ciberataques passaram de simples e massivos para mais complexos e direcionados, o que sugere que os cibercriminosos estão aperfeiçoando suas táticas e procedimentos para atirar à esmo”, afirma Dmitry Bestuzhev, diretor da equipe GReAT, da Kaspersky.

O Brasil evolui, e o cibercrime vai atrás

Na prática, quando a tecnologia evolui, o crime acompanha — os ataques cibernéticos e as fraudes surgem por observar vulnerabilidades em como as pessoas interagem com o mundo. No campo digital, isso não é diferente. Para entender melhor como o comportamento do brasileiro ditaria os próximos golpes.

Quando pedimos para o especialista destacar qual a principal tendência para o cibercrime no Brasil em 2022, ele levantou cinco pontos. São eles

  • 1) O Brasil terá uma chuva de “Golpes da Mão Fantasma”
  • Apresentado ainda neste ano, na Konferência@Casa 2021, os RATs (sigla para Trojans de Acesso Remoto) serão vetores principais de muito estrago nos smartphones brasileiros. Através deles, teremos uma proliferação de “Golpes da Mão Fantasma” — quando um criminoso consegue acesso completo dos dados dos usuários e roubam tudo sem que tenha sido baixado qualquer coisa.

    “Hoje em dia, a gente tem RATs voltados exclusivamente para golpes em Pix”, alerta Assolini. Ele afirma que o crescimento dos serviços bancários móveis fará com que grupos cibercriminosos ampliarão sua gama de alvos para além de sistemas Windows, incluindo golpes móveis.

    Em geral, Trojans e RATs possuem códigos e procedimentos mais sofisticados, com muitos deles conseguindo agir completamente fora do alcance de dispositivos de segurança.

    • 2) O QR Code voltou — e voltou para causar estrago
    • Outra tendência para o cibercrime no Brasil em 2022 é, na verdade, uma ferramenta digital esquecida, e que ganhou tração após a pandemia: o QR Code. O código escaneável, que teve um breve uso em 2014 e 2015 para aplicar golpes de phishing ou downloads de apps falsos, vai retornar uma vez que estabelecimentos e empresas passaram a usar mais em suas estruturas.
    • 3) Nossos dados vão valer muito lá fora

    Outra das tendências para o cibercrime no Brasil em 2022 está, curiosamente, ligado à alta do dólar. Os cibercriminosos que exfiltrarem grandes bancos de dados — logins e senhas de emails e redes sociais —passarão a oferecer essas informações em fóruns estrangeiros, sendo cotados pela moeda norte-americana.

    Segundo Assolini, a motivação é multi-fatorial. “Os infostealers [especialistas em roubo de dados] não estão mais vendo sentido em vender os dados para cá quando eles mesmo podem receber valores muito mais altos”, comenta.

    Quando questionamos o que hackers estrangeiros poderiam querer com dados pessoais, como RGs e CPFs, o especialista aponta que isso, na verdade, é os cibercriminosos abusando da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A legislação tenderá a punir arduamente as empresas vítimas de vazamento no futuro, o que dará mais ferramentas para que golpistas apliquem chantagem e extorsão.

    4) LGPD será um prato cheio para a turma do Ransomware

  • No panorama da América Latina, não é comum que empresas chantageadas paguem os resgates dos ransomwares — os “sequestros de dados”. O relatório aponta que a LGPD, usada para responsabilização e proteção de informações sensíveis dos brasileiros, também será explorada por cibercriminosos.Assim como no caso dos vazamentos de dados, grupos que oferecem o (Ransomware como prestação de serviço (RaaS) destinarão seus ataques à grandes empresas de origem brasileira. Isso porque, tal qual nos vazamentos, os sequestros que expuserem dados terminarão com a mesma punição pela lei.
  • 5) Fake news farão estrago de novo
  • A última das tendências para o cibercrime no ano que vem é que o Brasil tenha seus processos democráticos afetados novamente em 2022 por botnets (redes de bot) e por disseminação de fake news. Mesmo após escândalos como o dos dados do Facebook, as campanhas de desinformação deverão continuar em progresso, com cibercriminosos sendo pagos por diversos atores para influenciar no processo de decisão.

com Olhar Digital

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